O wabi sabi, é uma visão de mundo inspiradora que se refere a um conceito japonês baseado na aceitação da transitoriedade. Abrangente e compreensivo, tem como origem o Zen Budismo e sua primeira nobre verdade: Dukkha, ou, em japonês, Mujyouimpermanência. O conceito surgiu nas cerimônias do chá (Chanoyu) onde o menos significa mais.

“A essência do wabi sabi é que a beleza real, venha ela de um objeto, da arquitetura ou de uma arte visual, não se revela até que o caminhar do tempo tenha acontecido. Um metal enferrujado, por exemplo, tem uma essência que falta em um material novo e polido. A beleza está nos arranhões, nas áreas desgastadas e nas linhas imperfeitas.”

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Quando os japoneses reparam objetos quebrados, eles enaltecem a área danificada preenchendo as fissuras com ouro. Eles acreditam que, quando algo sofre um dano e tem uma história, torna-se mais bonito. Essa arte tradicional japonesa de reparação da cerâmica quebrada com um adesivo forte e o spray imediatamente após a cola, com pó de ouro, chama-se Kintsugi.


Essa filosofia – e também a sua estética – se casa com muita harmonia ao slow living: ao focarmos nossas atenções e atitudes em valores mais reais e significativos, nos conectamos ao wabi sabi, que cultiva tudo que é autêntico ao reconhecer três realidades simples: nada dura, nada é completo: nada é perfeito.

A filosofia do wabi sabi abrange tanto as coisas naturais, orgânicas, quanto os objetos feitos pelo homem. Da espiritualidade até as questões de comportamento, hábitos de vida e estética. Se um objeto ou expressão consegue trazer em nós um senso de melancolia serena, intimidade e um anseio espiritual, então isso pode ser considerado wabi sabi. Grande parte de sua essência vem de qualidades intangíveis que giram fortemente em torno de uma experiência. Talvez seja resultado de suas origens e da língua japonesa, que descreve as experiências sensoriais metaforicamente como se fossem poesia, uma linguagem que comunica as emoções do coração com a clareza de sua imprecisão.

A natureza fundamental do wabi sabi é sobre o processo, não o produto final; sobre o declínio e o envelhecer, não o crescimento. Esse conceito pede a arte da lentidão, do desacelerar, e uma boa vontade em se concentrar no que é geralmente deixado de lado: as imperfeições e as marcas que registram a passagem do tempo. Um antídoto perfeito para o estilo corporativo de beleza, que é invasivo, raso e escorregadio.

Dentro da imperfeição abordada pelo wabi sabi, entram ainda a assimetria, a irregularidade e a modéstia como atributos de beleza. Uma simplicidade funcional onde a forma é ditada pela função e reduzida à sua disposição mais simples. E dá pra falar ainda mais: wabi sabi é apreciar os ciclos naturais da vida.

 

http://reviewslowliving.com.br/2016/02/17/wabi-sabi-a-arte-e-a-beleza-da-imperfeicao/